FLORAIS DE BACH

FLORAIS DE BACH
EDWARD BACH

domingo, 16 de dezembro de 2012

14 - DIAGNÓSTICO E PRESCRIÇÃO - ALGUNS EXEMPLOS PRÁTICOS - FLORAIS DE BACH



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14 - DIAGNÓSTICO E PRESCRIÇÃO – ALGUNS EXEMPLOS PRÁTICOS – FLORAIS DE BACH




Em regra, todas as medicinas, mesmo a maioria das denominadas alternativas ou complementares, como a Homeopatia, a Osteopatia e a Medicina Tradicinal Chinesa, exigem uma cuidada formação académica. Com os Florais de Bach, a tarefa do terapeuta encontra-se muito facilitada, desde que a sua sensibilidade e o autoconhecimento do paciente sejam uma constante. Este último, se tiver uma clara percepção da estrutura da sua personalidade e estados emocionais, incluindo os transitórios, pode com elevado sucesso recorrer à autoprescrição.

Estamos perante um sistema curativo essencialmente vocacionado para a autocura.
         
Nos Florais de Bach não se exigem conhecimentos profundos do “interrogatório e exame”, tal como ocorre em Psicopatologia ou em Homeopatia. Impõe-se que o terapeuta ou o próprio paciente tenham ou adquiram uma clara percepção dos estados afectivos, dos estados psicológicos que os fazem sofrer, reconhecendo os que surgem com maior constância e que são a estrutura da personalidade, daqueles que são meramente esporádicos. Com a experiência, que decorre da observação, desenvolve-se a sensibilidade e com esta, a capacidade de escolha dos florais propícios ao restabelecimento da saúde.

Isto não quer dizer, que a história do paciente – individual, hereditária, antecedentes mórbidos, doença actual, comportamentos, tais como, fugas, tentativas de suicídio, violências –, a análise do seu comportamento – apresentação, atitudes ao exame, agitação, sono, higiene corporal, sexualidade e condutas sociais – e o estado psíquico com os seus múltiplos mecanismos, não sejam cuidadosamente analisados.
            
Pode acontecer que um determinado paciente possa ter sofrido na infância um choque traumático violento, que tenha condicionado toda a sua vida futura, gerando inúmeros desequilíbrios. Todos nós sofremos traumas na nossa curta existência. São os traumas do nascimento, da infância, da adolescência, da idade adulta, da velhice. Por tal motivo, não será despiciendo iniciar o tratamento com Star of Bethlehem ou incluir este medicamento no complexo de essências que cuidarmos adequado à harmonização do nosso estado emocional ou do nosso paciente.

No entanto, não nos podemos esquecer, que os Florais visam por meio de um método simples eliminar as desarmonias e gerar saúde, que se configura como um estado de harmonia entre a mente e o corpo, estado esse que pressupõe o equilíbrio quer das funções cerebrais, quer dos diversos órgãos. Por outro lado, deve privilegiar-se a cura pelo próprio paciente: é um sistema de auto-ajuda, ao que evitaremos teorizar em excesso, optando antes por exemplos práticos.


António, casado, de 43 anos de idade, é gerente de uma pequena empresa. Irrita-se facilmente e prefere executar as suas tarefas sozinho. No trabalho faz tudo ao seu próprio ritmo, considerando que os seus subordinados não se interessam o suficiente e são demasiado lentos. Come à pressa. Mal começa uma tarefa já a quer ver acabada. Esta atitude deixa-o tenso, inquieto. Por vezes fica agressivo com os trabalhadores e com a própria família, arrependendo-se de imediato. Gostaria de mais tranquilidade na vida.
             Temos aqui um caso típico de IMPATIENS.


Berta, viúva de 64 anos, três filhos criados a residirem noutras cidades, vive obcecada pelo que lhes pode acontecer. Está sempre a pensar num acidente de automóvel, num afogamento na praia, numa eventual doença. Quando o telefone toca, corre desesperada antevendo o pior. Tudo isto faz com que esteja sempre ansiosa, tensa.
             Temos um caso de RED CHESTNUT.


Carlos, aos 33 anos era um jovem cheio de vida, saudável. Sem saber porquê, iniciou um processo melancólico, com fobias múltiplas associadas. Uma profunda tristeza tomou conta do seu ser e os medos surgiram uns atrás dos outros: medo de ter uma doença incurável, de sair de casa sozinho, da morte, de ter um acidente de automóvel. Este processo desgastou-o ao ponto de tudo o fatigar mentalmente, não obstante cumpra as suas obrigações, ainda que com muita dificuldade.
             Temos um caso de prescrição combinada: MUSTARD, MIMULUSHORNBEAM.


Deolinda, 30 anos, tem um casamento insuportável, mas não consegue decidir-se a abandonar o marido que a maltrata física e psicologicamente. Acorda de manhã pensando que o vai fazer, mas logo depois muda de opinião. Tem péssimos pressentimentos, que não consegue explicar e pesadelos que a tornam ansiosa.
É uma pessoa sonhadora, pouco concentrada e fatigada. Passa os seus momentos livres com devaneios e fantasias. Vive um futuro fictício, onde abundará a felicidade e o amor, que relembra ter atingido no fim da sua adolescência, no seu primeiro namoro.
             Temos um caso de prescrição combinada: SCLERANTHUS, ASPEN e CLEMATIS.


Esperança, é uma mulher que não vê nada de bom nos outros. Passa os seus dias criticando tudo e todos. É intolerante, irritável, pouco compassiva. Isso faz com que sofra. Gostaria de ter uma outra visão do mundo e dos que a cercam.
             Temos um caso típico de BEECH.


Francisco, 18 anos, recebeu a notícia de que é seropositivo. Não consegue comunicá-lo a ninguém, tem medo e vergonha das reacções dos amigos e familiares. Está desesperado. Pensa constantemente no suicídio e considera que nada pode ser feito. No entanto, tem um enorme medo da morte. Não pára de se auto-reprovar. A vida perdeu todo e qualquer significado. Isola-se no quarto, não quer ver ninguém, está completamente exausto, sem forças. O mais pequeno mal-estar leva-o a ter ataques de pânico, com agitação e medo da morte. Tem momentos em que odeia tudo e todos e a sua raiva é tão grande que lhe apetece destruir o mundo.
             Para além do RESCUE REMEDY, que deverá ter sempre consigo, temos novamente um caso de prescrição complexa: ROCK ROSE, MIMULUS, GORSE, OLIVE, HOLLY e PINE.


Em síntese, sem pretensões, podemos afirmar que o terapeuta para prescrever – adapte-se com as necessárias precauções aos casos de autoprescrição –  deve:
              - buscar a causa primordial dos sintomas, espontânea ou provocadamente relatados pelo paciente;
              - provocar o doente à introspecção, instigando-o ao autoconhecimento, que agirá como uma psicoterapia de libertação, o que o irá envolver definitivamente no processo de cura;
              - proceder à hierarquização dos sinais e sintomas patológicos e ainda dos característicos da personalidade do paciente, seleccionando e graduando o conjunto da sintomatologia, o que conduzirá à escolha do remédio ou remédios adequados, considerando que a matéria médica repertorial é meramente indicativa e exemplificativa;
              - limitar o número de remédios no mesmo frasco não ultrapassando seis ou sete. De preferência, deverá receitar-se o menor número possível de medicamentos, para acompanhar a evolução da cura, substituindo-os sempre que se alterem os desequilíbrios afectivos. Esta é uma questão que nunca deve ser olvidada; os casos devem ser reavaliados com alguma frequência, já que alguns dos sintomas podem desaparecer, surgindo novos, que impõem inelutavelmente nova prescrição.


Tratando-se de autoprescrição, é sabido que nem sempre estamos dispostos a reconhecer sentimentos negativos e estados emocionais menos lisonjeiros.

O autoconhecimento, como observação pura e simples do que está a ocorrer em nós a cada momento, a observação do pensamento e do seu movimento próprio, sem recurso a comparações, interpretações ou julgamento, auxiliar-nos-á na escolha correcta.
            
A observação, na perspectiva do autoconhecimento, implica vigilância constante de toda a actividade mental e fisiológica perceptível. É uma escuta permanente dos estados afectivos e emocionais, dos gestos e atitudes, dos pensamentos e sensações, que por si só, independentemente de esforço e resistência pode produzir transformações substanciais no paciente.
            
O autoconhecimento leva à quietude da mente e com o auxílio efectivo dos florais, as transformações não se farão esperar, com o consequente fim do sofrimento.


Ilustremos agora, um caso de reavaliação, impondo uma nova prescrição:

Guida, tem 37 anos e é colaboradora voluntária na paróquia do local da sua residência, para além das funções que exerce na fábrica de seu pai, supervisionando todo o processo de controlo de produção. Apesar das actividades a desgastarem, está sempre disponível para acorrer às necessidades dos paroquianos mais carenciados. É extraordinariamente activa, mas sente que as dificuldades são enormes, não obstante evite queixar-se, esperançada na recuperação da sua vitalidade. Apresenta sinais de irritabilidade.
A intensa colaboração e empenhamento na comunidade local, iniciou-se pouco tempo depois de ter perdido a sua mãe, com quem mantinha profundos laços de amizade e um carinho muito especial.
Temos um caso de prescrição combinada: OAK e STAR OF BETHLEHEM.

Algum tempo após o tratamento, passou a organizar mais racionalmente as suas actividades, recuperando energia, deixando de se irritar com facilidade. Aceitou a morte da mãe como algo natural. No entanto, na sequência do tratamento, divorciou-se, fazendo o que já pretendia fazer há alguns anos. Mesmo assim, tal facto, tem-lhe produzido angústia e pensamentos persistentes que não a abandonam, martirizando-a mentalmente e impedindo-a de se concentrar com eficiência no seu trabalho.
             Na reavaliação do caso, temos de novo uma prescrição combinada: WALNUT e WHITE CHESTNUT.




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